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Cuba acusa Donald Trump de querer "asfixiar" economia da ilha

Cuba acusa Donald Trump de querer "asfixiar" economia da ilha

Os apagões diários estão a piorar em Cuba e as filas nas bombas de gasolina crescem sem cessar. A crise poderá agravar-se com a ameaça do presidente norte-americano, de aplicar tarifas, de valor não especificado, a quem venda petróleo a Havana.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Presidente de Cuba Miguel Diaz-Canel, na marcha em Havana contra a morte de soldados cubanos na Venezuela, no ataque norte-americano para capturar Nicolás Maduro Foto: Norlys Perez Reuters

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou a ordem executiva de Trump, emitida quinta-feira, e acusou o presidente dos EUA de querer tentar "sufocar" a economia da ilha comunista.

"Sob um pretexto falso e infundado, o presidente Trump pretende sufocar a economia cubana impondo tarifas aos países que comercializam petróleo com Cuba sob direitos soberanos", denunciou o presidente cubano na rede X.

"Esta nova medida destaca a natureza fascista, criminosa e genocida de um tribunal que confiscou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais", acrescentou o chefe de Estado cubano, numa clara alusão ao secretário de Estado, Marco Rubio, um cubano-americano que não esconde o seu desejo de ver uma mudança de regime em Havana.

Trump justificou a medida invocando a "ameaça excecional" que Cuba representa para a segurança nacional dos EUA.
"Sentar e negociar"
A ordem executiva intensifica a pressão sobre a ilha de 9,6 milhões de habitantes, mergulhada numa grave crise económica e com dificuldades em satisfazer as suas necessidades de combustível e eletricidade.A ilha é governada pelo Partido Comunista Cubano, PCC, o único partido permitido. Em 1962, os EUA impuseram um embargo, ainda vigengte e reforçado por Donald Trump, no seu primeiro mandato (2017-2021).

Nos últimos dias, as filas nos postos de abastecimento de Havana têm vindo a crescer e os cortes de energia podem durar até dez horas na capital.

A falta de eletricidade interrompe o acesso à internet e aos meios de comunicação social. Muitos cubanos desconheciam por isso as ameaças americanas, apurou a agência France Press.

"Vai afetar diretamente a vida dos cubanos. Mais cedo ou mais tarde, haverá consequências (na economia), é esse o objetivo", disse Jorge Martinez, engenheiro informático de 60 anos, após ter sido informado da ordem executiva.

"Precisamos de nos sentar e negociar" com Donald Trump, acrescentou.

Já quinta-feira à noite, numa primeira reação, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodriguez, denunciara um "ato brutal de agressão", contra os cubanos "submetidos há mais de 65 anos ao mais longo e cruel bloqueio económico alguma vez imposto a uma nação inteira".Solidariedade com Havana
Pequim, aliado de longa data do regime de Havana, declarou apoio "firme a Cuba na defesa da sua soberania nacional e da sua segurança".

"A China opõe-se firmemente a medidas que privam o povo cubano dos seus direitos à subsistência e ao desenvolvimento, bem como a práticas desumanas", declarou o porta-voz do ministro chinês dos Negócios Estrangeiros em conferência de imprensa.De acordo com a ordem executiva dos EUA, a decisão de Washington baseia-se na declaração de "estado de emergência" relacionada com a "ameaça excecional" que Cuba representa para a segurança nacional dos EUA.

Washington acusa as autoridades cubanas de "alinharem e apoiarem numerosos países, organizações terroristas internacionais e atores hostis aos Estados Unidos", incluindo a Rússia, a China, o Irão, o Hamas e o Hezbollah.

Cuba é também acusada de "desestabilizar a região através da imigração e da violência", ao mesmo tempo que "difunde as suas ideias, programas e práticas comunistas", refere.

A ordem executiva assinada quinta-feira por Trump não especifica os países visados com as eventuais tarifas, mas o México é um dos países que ainda fornece petróleo a Cuba.

A presidente Claudia Sheinbaum, de esquerda, declarou terça-feira que "o México continuará solidário" com Cuba, depois de, no mesmo dia, a empresa estatal mexicana de petróleo, Pemex, ter anunciado o corte dos envios de petróleo para Cuba.

"É uma decisão soberana", disse Sheinbaum, desmentido suspeitas de cedência a pressões de Washington.No seu relatório mais recente, a Pemex afirmou que enviou quase 20.000 barris de petróleo por dia para Cuba entre janeiro e 30 de setembro de 2025.O petróleo mexicano é vital para a ilha comunista.
Sheinbaum promete há semanas fornecer dados claros sobre as exportações para Cuba, mas ainda não o fez. O governo cubano e a Pemex não responderam de imediato a um pedido de comentário sobre este assunto.

No início de Janeiro, o presidente dos EUA já tinha ameaçado o governo cubano com o corte do fornecimento de petróleo e de dinheiro, instando-o a aceitar um "acordo, antes que seja tarde demais", sem especificar a natureza desse acordo.

Miguel Diaz canel desmentiu depois a existência de conversações entre Cuba e os Estados Unidos.

"Não existe qualquer discussão com o governo dos Estados Unidos, à exceção de contactos técnicos no domínio migratório", assegurou o presidente cubano nas redes sociais.

c/agências
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